O NAIPE EM FALTA

Depois da publicação de «Hotel La Solitude», senti vontade de regressar aos lugares do romance. Levei comigo a máquina fotográfica e percorri de novo quartos de hotel, ruas, cafés, termas, paisagens. Procurava traduzir em imagens a atmosfera que permanecia no meu imaginário para lá das páginas.
À medida que fotografava, aconteceu algo inesperado. Os personagens voltaram. Parecia vê-los atravessar os espaços, conversar entre si, interrogar-me, criticar-me. As imagens deixaram de ser um exercício de observação. Tornaram-se um diálogo com uma história que não parecia fechada. Percebi que «Hotel La Solitude» guardava uma última carta por revelar. O naipe em falta era eu.
As imagens desta série pertencem a esse universo. Algumas antecederam a escrita do romance, outras acompanharam-na e outras nasceram depois da sua publicação. As duas linguagens foram-se entrelaçando. O real contaminava a ficção, a ficção contaminava o real. A narrativa fotográfica «O Naipe em Falta» não procura ilustrar nem explicar o livro homónimo. É outra forma de contar a mesma história.
Por ocasião do lançamento do livro «O Naipe em Falta», produzi uma edição de 250 reproduções, distribuídas por 25 fotografias, com uma tiragem de 10 exemplares, numerados e assinados. Em cada fotografia, o leitor poderá reconhecer fragmentos do texto e construir o seu próprio imaginário.
Ficha Técnica:
Autoria: Vítor Leal Barros, 2026
Técnica: Fotografia – Impressão Fine Art sobre papel Ilford Smooth Cotton Rag 310 g
Dimensões: 110x80 mm
Série: 25 fotografias, com tiragem de 10 exemplares por imagem, numerados e assinados.























