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DUAS CASAS NAS SELVAGENS

Invisibilidade.

“Invisibilidade” foi o tema dos projectos submetidos ao concurso Duas Casas nas Ilhas Selvagens. Após analisar o caderno de encargos e as restrições ambientais do local, tornou-se claro que qualquer edificação proposta para este paraíso ecológico deveria ser invisível, diluindo-se na paisagem como se não existisse, ou como se tivesse pertencido sempre à geografia do lugar. O tema exigia também atenção à logística da construção e à ausência de transporte local para materiais, questões que foram cuidadosamente ponderadas.

A partir deste exercício arquitectónico teórico e reflexivo, nasceu a vontade de explorar dois sistemas construtivos distintos, um para cada casa, ambos orientados pelo mesmo conceito central: “Invisibilidade”.

O sítio escolhido para a casa na Ilha Selvagem Grande, com a sua geografia e topografia acentuadas, sugeria uma arquitectura estereotómica, em que a força da gravidade se transmite de forma marcada e a construção se integra com solidez no terreno. Em contrapartida, a paisagem árida e deserta da Ilha Selvagem Pequena pedia uma arquitectura tectónica, onde a gravidade se exprime através de uma lógica estrutural de nós e junções. Nesta ilha, fazia todo o sentido conceber uma construção leve e subtil, quase imaterial, que se confundisse com a natureza envolvente.

Assim nasceram dois lugares, duas linguagens e duas abordagens arquitectónicas, distintas mas unidas pelo mesmo tema e propósito: a procura da invisibilidade.

Fotografia 3D: Pedro Fernandes | Vítor Leal Barros
Consultores: I+I Studio

 

 

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