«Love», de Johan Dag Haugerud
- Vítor Leal Barros

- 31 de jul.
- 1 min de leitura

Vi Love, de Dag Johan Haugerud. Filme de uma simplicidade formal aparente, construído quase só por diálogos. De uma profundidade rara. O que mais me impressionou foi a honestidade emocional das personagens. Nem Marianne nem Tor parecem particularmente preocupados em corresponder às narrativas convencionais sobre amor, sexualidade ou compromisso. Procuram uma intimidade viva, fundada na presença, na liberdade e na capacidade de ver o outro sem o transformar em propriedade. O filme sugere que a ternura nasce da qualidade da atenção que damos ao momento, qualquer que seja a forma ou duração da relação.
Fiquei com a sensação de que muitos dos conflitos afectivos contemporâneos nascem da tentativa de encaixar a experiência humana em modelos que prometem segurança, mas que, frequentemente, sacrificam a verdade. No fundo, todas as personagens parecem procurar a mesma coisa. Ser vistas na sua singularidade, na sua humanidade concreta. Fica-me a ideia de que, por baixo das nossas narrativas, medos e escolhas, todos ambicionamos o mesmo: reconhecimento existencial genuíno e, se possível, um pouco de ternura.
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